P o e t a s
   
 
Wolghano Barbosa

Dados Biográficos:

Nasceu no município de Fundão, no Estado do Espírito Santo, a 05/09/1914, filho de Genésio Barbosa e de Francisca Barbosa. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Niterói-RJ, em 1938. Dirigiu o “Colégio João Bley” em Castelo, durante um ano, lecionando também História, Geografia e Espanhol, por longo período. Advogou na Comarca de Castelo por cerca de treze anos. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal daquele município. Através de concurso, ingressou no Ministério Público em 1955, exercendo o cargo de Promotor de Justiça em várias Comarcas do Estado do Espírito Santo. Exerceu por três anos o cargo de Diretor Geral do Departamento do Serviço Público (DSP), hoje Secretaria de Administração. Foi agraciado com o título de “Cidadão Guaçuiense”, em 1967. Foi presidente da Associação Espírito-santense do Ministério Público. Exerceu, por quatro anos, o cargo comissionado de Procurador Geral da Justiça. Como jornalista, colaborou nos jornais “Diário da Manhã”, “A Tribuna”, “A Gazeta”, “Correio do Sul”, “O Alegrense”, “O Espírito Santo”, “Brasil novo”, “O Arauto”, “Monitor Campista”, “A Evolução” e nas revistas “Vida Capixaba’ e ‘Canaã”. Faleceu em 13/06/1980.

Obras:

Mania de Futebol, comédia em dois atos, encenada nas cidades de Castelo, Alegre e Guaçui;
Lombilho Velho ( contos regionais)
Instantâneos ( crônicas)

Fonte: Antologia Poetas do Espírito Santo, Elmo Elton FCAA – UFES – Vitória, ES 1982.

Poesias

DEVOLVE TUDO

Devolve as minhas cartas mal traçadas,
mesmo que existam delas só pedaços;
devolve tudo, e, por iguais estradas,
manda também, de volta, os meus abraços.

Devolve as esperanças mal sonhadas
- falsos acenos para os nossos passos,
aquelas mesmas que, ao sabor de nadas,
de pranto encheram nossos olhos baços.

Não guardes nada. Manda as minhas iras,
os meus perdões e todas as mentiras,
mas devolve, também, minhas verdades.

Devolve tudo meu: o mal e o bem,
mas não esqueças de enviar, também,
meus últimos farrapos de saudades.
 
BALADA DO CRICARÉ

Rio que brota da terra
e se despenca da serra,
travesso qual um menino,
você que é água corrente,
tio, você como a gente,
também carrega um destino.

Você que brinca nas matas
e beija o véu das cascatas,
no beijo mais inocente,
ro, você, cujas águas
podem ser risos, ser mágoas,
tem destino como a gente.

Por vezes, não muito raras,
refletem suas águas claras
todo o bem que a vida encerra;
mas, no remanso das curvas,
escondem suas águas turvas
toda a miséria da terra...
 
TROVAS

Na existência das pessoas
os desejos são iguais:
-no querer das coisas boas,
todas querem muito mais.

A prece tem mais valia,
mais graças do céu alcança,
se em sussurro a balbucia
o lábio de uma criança.

É bem mais fácil a gente,
na vida, pra ser feliz,
nunca dizer o que sente,
nunca sentir o que diz.

Cantigas, velhas cantigas,
feitas ontem sem rebuços,
não digas hoje, não digas
que as cantei entre soluços.

À volta da terra imensa,
por estes mundos, a esmo,
há muita gente que pensa,
pensando que pensa mesmo.
 
VIGÍLIA

No silêncio de noites indormidas
que mais parecem longas caminhadas
vivo a esperar carícias prometidas
que me não trazem nema as madrugadas...

Busco em vigílias cruéis e repetidas,
de noites seculares, acordadas,
os beijos que tornaram nossas vidas
a vida rosicler das alvoradas...

E as horas passam, cruelmente mansas,
Sem que sequer me restem esperanças
de minorar a dor por que passei...

Então, transformo a alcova num sacrário
e adormeço, rezando no rosário
de lágrimas do pranto que chorei!...
 
TROVA

É bem mais fácil a gente,
Na vida, prá ser feliz.
Nunca dizer o que sente,
Nunca sentir o que diz.
 
 
       
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