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Solimar de Oliveira
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Dados
Biográficos:
Solimar Braga de Oliveira nasceu em Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais, em 05/08/1913, filho de Luiz de Oliveira, (membro-fundador da Academia Mineira de Letras) e de Ypoméia Braga de Oliveira, educadora e poetisa. Iniciou seus estudos no GE "Padre Anchieta" e depois no Colégio Nacional, RJ, até 1929, quando se transferiu juntamente com seus pais, para Cachoeiro de Itapemirim-ES, ali prosseguindo seus estudos no atual Liceu "Muniz Freire". Ingressou na Escola de Farmácia e Odontologia de Vitória. Poeta, trovador e jornalista, dedicou-se, desde 1930, à literatura e ao jornalismo, tendo exercido funções de correspondente, diretor de sucursal, diretor e redator de jornais revistas e de emissora de Cachoeiro de Itapemirim. Organizador, fundador e primeiro diretor do Departamento de Imprensa Oficial desse município. Colaborador efetivo da "Revista Panamericana" e da "Revista Cachoeiro". Membro correspondente da AML, de várias e importantes instituições literárias internacionais e "Cidadão Cachoeirense", desde 1964 Autor de Leis, de Regulamentos, Códigos de importância para a PMCI e para as Faculdades de Direito de Cachoeiro de Itapemirim e de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre, também do Espírito Santo.
Obras:
A Lágrima de Natal - poemas
Ilha de Luz - poemas
Cidade Antiga - poemas e sonetos
Ânfora Azul - poemas e sonetos
Lamentação de Orfeu - poemas e sonetos
Sangrando Mágoas - trovas
FONTE: ELTON, Elmo. Poetas do Espírito Santo - FCAA -UFES - PMV - 1982.
ES - Nossa Gente - Fundo Editorial do Espírito Santo - Vitória, 1969. |
Poesias
PELOS CAMPOS TALADOS
Campos talados,
onde havia esperança de colheita
loura e farta,
todos foram desprezados.
Os pés sangrando
urzes pisamos,
e a cada passo nos fantasmas
das ilusões já mortas tropeçamos.
Campos talados esses que lavramos
e hoje vazios de esperança neles a fartura
do bom trigo não medra.
Há também os cadáveres sonhando,
quase petrificados,
sonhos de pedra,
e calcados aos pés
por esses campos talados...
Há multidões famintas,
gerações quase extintas
e esquálidas, em dor,
erguendo para os céus as mãos aflitas
bradando por justiça
numa visão patética ou profética
em súplicas de paz, de pão e amor!
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PSICANÁLISE
Em ti, eu sei,nem um afago ao menos
encontrarei ao coração aflito;
lembras basalto em ríspidos terrenos,
criatura estranha, esfinge de granito!
Hei de entanto investir, hei de o conflito
que há em ti afastar, em doces tremos,
revolver-te as entranhas com meu grito
de amor, e te orvalhar de bons serenos...
Hei de vencer a indiferença louca
que refletes nos olhos e na boca,
despertarei teu ser imaterial!
E da subconsciência emque te imerges,
a cujos antros o amor converges,
farei surgir tua alma de cristal!
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TROVAS
Curvo-me ao fado perverso,
como te confesso assim:
-Sempre a buscar-te em meu verso,
sempre a fugires de mim!
E aqui deixo a última nota
destas Trovas, coração:
-Eu, no amor, só vi derrota,
engano, nada, ilusão...
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TROVA
Promessas de amor! Inúteis
ilusões da humana lida!
-Assim, de coisinhas fúteis
vamos construindo a vida.
Nesta existência a alegria,
experimenta e verás,
está na doce poesia
de todo o bem que se faz...
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NOTURNO DA CASA TRISTE
Mudei de casa. A casa que agora habito,
Bem diferente da que amaste e viste,
Anda de lutto desde que partiste,
E dentro ela, eu, a escrever, medito.
Floresce uma saudade a cada grito
Do coração que em festas seduziste;
Do coração envelhecido e triste
Que te vai recordando ermo e contrito.
Nesta casa, povoada de tristezas,
Sinto que a tua imagem se insinua,
Instante a instante, em minhas incertezas...
E eu, exilado, em grande mágoa imerso,
Deixo que a minha cisma se dilua
Em vida, em beijo, em pó, em nada, em verso!
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BRANCA SAUDADE
Branca saudade, que em minha alma teces
Luares, lembranças, amargura e dor,
Trêmolos mansos de macias preces
Despetaladas para o nosso amor...
Saudade branca quanto me enterneces,
Branca saudade, caprichosa flor,
Lembrando aquela, quando refloresces,
Na ausência dela, com maior fulgor.
Branca saudade, como falas dela,
Na suavidade da contemplação,
Quando a recordo, compassiva e bela,
Quando a recordo me estendendo a mão,
Como se fosse uma formosa estrela
Branca, tocando no meu coração!
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SONETO DA ETERNA CISMA
E agora, em te lembrando, eu sigo lento,
Como em manhãs umbrosas, a cismar,
Buscando, em meu suave pensamento,
A paz que vinha do teu lindo olhar...
Vou caminhando, como em desalento,
A alma inquieta a se despetalar,
Por que se eras meu maior alento,
Como, sem ti, mais poderei cantar?
Cuido que alcances, onde te encontrares,
Estas lembranças, estes versos meus,
Estas mensagens, estes meus cantares;
Nesta saudade, que sò o sabe Deus,
Vai me arrastando, entre cruéis pesares,
Pra o teu lado, para os lábios teus...
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ÂNFORA AZUL
Eu trago na Ânfora repleta
do vinho antigo que seduz,
meu coração de pobre poeta
querendo amor, querendo luz...
Toda esta essência que transborda
da Ânfora azul, de argila pura,
bebe-a comigo, e, enfim, recorda
a nossa antiga desventura...
Oh! tu que vens de longe, e, perto,
sentes bater meu coração,
como o viajor pelo deserto
de devoção em devoção...
Na Ânfora azul da minha vida
chega teu lábio encantador;
-Deixa a tua alma, comovida,
pousar awqui, como uma flor...
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