P o e t a s
   
 
Reinaldo Monteiro

Dados Biográficos:

Reinaldo Monteiro nasceu em 1947, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, criado em Vila Velha, trabalha na Aracruz Celulose com Técnico de Segurança do Trabalho, tendo passado antes por diversas empresas do Espírito Santo.

Obras:

"Gotas de Vida", livro artesanal, editado em julho de 1985, com prefácio de Hermógenes Lima Fonseca.
"Coisas da vida", editado em papel fabricado com celulose Aracruz, julho de 1985.

FONTE: Coisas da Vida" - 1985

Poesias

PROCURA-SE

Precisa-se de amigo, que não seja
pobre nem rico, não tenha
preconceito de cor
e tenha no coração muito amor.
Precisa-se de amigo
que traga consigo,
compreensão e afeição
paz e conforto em qualquer hora
que for.
Precisa-se de amigo com sede
ou com fome e que não use
o nome para ser protetor.
Precisa-se de amigo
honesto e sincero é o que eu quero
para viver comigo, a vida enfrentando
suando e lutando e não se importando,
pelo preço da luta.
Precisa-se de amigo, que queira ser amigo
mas apenas amigo é o que eu digo,
para ser meu amigo.
 
NOITE DE LUA CHEIA

Noite de lua cheia, céu estrelado,
Noite linda desejos de namorado.
Com alegria, corro para a varanda
para junto da minha amada.
Beijos... abraços...carícias...
começamos a sonhar com a vida de apaixonados!

Pela noite a dentro, ela nos meus braços
horas passando, meu rosto acariciando,
dizendo estar por mim apaixonada.
Lá no céu estrelado, a lua cheia passeia
sendo testemunha do nosso amor.

Trocando palavras, beijos, com sonhos e mais sonhos,
com versos e poemas assim somos embalados
na noite de lua cheia e com céu estrelado.

Nostalgia para sonhos de namorados
é amor em noite de lua cheia
com céu estrelado
As varandas são os palcos dos sonhos apaixonados.
 
A PAZ

Bom seria se eu fosse um pássaro
voando livre e sem alguém
pensando em me prender
Ah! Se eu fosse um pássaro,
para anunciar o nascer do dia
e com o meu canto fazer a paz.

Bom seria se eu fosse um pássaro
voando daqui pra ali,
dali para acolá...
e do acolá pra aqui,
de árvore em árvore, de galho em galho
levando a paz para quem estiver a me ouvir!

Bom seria se eu fosse um pássaro
para anunciar o final do dia,
com o meu canto em melodia
inspirando poetas para lindas poesias,
e colocar a paz em toda sua linha.
Ah! Se eu fosse um pássaro!...
 
VELHO PESCADOR

O sol aina não despertou no nascente,
levando o barquinho mar adentro,
segue o destemido pescador com os
olhos brilhando, admirando o mar.

Pele queimada, cor rosada, chapéu de palha
roupa surrada pelo sal do seu doce mar,
pensando em fartura de peixe com a
sorte encontrar.

Sentado na popa, manobrando o leme
seguindo a direção...
corpo inerte, segue na sua rústica embarcação
deslizando nas águas bravias que ele enfrenta
no dia a dia de sua vida.

Olhando pro céu, procura o sol para se guiar
Arreia a vela, mastiga alguma coisa
e nos sonhos começa a planejar,
observa o mar, atira a âncora
que nos seus sonhos imagina ancorar.
 
FAZ BEM

Faz bem? Chamar alguém de bem
ter um bem, amar alguém,
olhar alguém, viver bem,
fazer o bem sem olhar a quem.

Como faz bem! beijar alguém
ter amor, ouvir, querer, abraçar
e pensar em alguém.

E bom ser feliz com alguém
dormir, sonhar, pensar
falar de amor, ter os braços,
para abraçar alguém,
e como deve fazer bem!
 
ELA

Já vem ela, com seu gingado
parecendo até rebolado.
Seu andar parece até com o desfilar
de uma debutante.
Sorriso nos lábios, olhar contente,
beleza com ar envolvente.
Pura? Não sei!...
mas até pensei,
em abraçá-la, beijá-la.
E até lhe perguntar
se no seu coração há emoção,
pois ela vive me dando inspiração.
 
MÃE E A VIDA

Mãe, não tenho palavras para você,
não quero enaltecer suas qualidades,
mas me lembro de você, nova e forte,
desafiando o tempo como gigante.
Parece que foi ontem que você,
usando a paciência e demonstrando sapiência,
nos ensinou a mais nobre das ciências,
que é aprender a falar, ler e escrever.
Pegava nas minhas mãos, usando a força
da bondade do coração, para que com emoção
soletrasse as primeiras letras e formasse
o bê-a-bá.
Mãe, digo que você parecia com um gigante até
porque além de nos educar, tinhas forças
para labutar na escola.
Oh! Mãe, parece que você que é
a escola, pois és um manancial
de ensino sem ter igual.
 
BEIJA-FLOR

Você parece um beija-flor,
beijando bocas e mais bocas,
por esta vida a fora.
Não chega de saciar seu desejo,
ou queres a todos enganar.
jurando falso amor?
Aonde você quer chegar
Com este desejo insaciável
de bocas a beijar?...
 
VERDADE

Quando a tive, ficou em mim
a sensação de emoção e paixão.
Quando você me deixou, fiquei
com a certeza da sua pureza.
No abandono, pensei que era
engano,
a dor do amor que você deixou.
Em mim veio riso e choro,
não imaginava perdê-la,
sofri tanto, que senti antipatia,
dos carinhos e alegria,
nos momentos que com você passei.
Sem você, tenho a sensação
de não haver sbstituta para meu coração.
 
O VIRA-LATAS

Passa de cabeça baixa,
rabo a balançar,
para, fareja e escolhe
a lata a virar.
Na esquina o menino
escondido vigia
o cão ladino para enxotar,
grita, sai cachorro, sai...
assustado foge, para qualquer
lugar.
Longe, ambos saem de mansinho,
e a lata o cão começa a derrubar
com as patas, separa o petisco
na boca sai a carregar,
foge sorrateiramente, para fome
saciar.
 
DOCE ILUSÃO

Este amor que nasceu
e cresceu dentro de mim
continua sendo ilusão,
batendo forte no meu coração.
Abraços, beijos e seu jeito
vem a todo momento
na cabeça, descendo e
explodindo no meu peito
Oh! amor!
Não posso viver assim
pensando em você,
mesmo sabendo que não me quer.
E a doce ilusão!
sinto tudo, até você comigo,
mesmo que não esteja,
sofro e esta dor sufoca
meu coração.
Oh! doce ilusão...
 
O PEQUENO JORNALEIRO

Enrolado em papelão
o menino dormia no chão.
Manhã fria, a garoa caía,
e a vida boa parecia.
Surgem dois faróis, na esquina,
que tudo iluminam,
assustado, pensando no que é,
pula e se põe de pé...
Desesperado ele escuta, olha...
Jornal..., chegou o jornal.
Recebe a cota, ajeita o embornal,
caminha orgulhoso com seu jeito especial,
de vender a notícia.
Soletra, torna a soletrar para não errar,
preparando a voz para gritar
Emociona-se, guarda o grito e a notícia,
balbucia..., esta não vai dar.
para mim anunciar.
Continua andando, gritando jornaleiro.
Segue o pequeno menino moreno.
 
TEMPO DE CRIANÇA

Lembranças, lembrança,
do meu tempo de criança,
corria, brigava, cantava,
com a bola de gude brincava,
e um bom picolé adorava.
Oh! Infância dos bons rachas
com bola de meia ou de borracha.
Também tinha ânsia de ficar
adulto rapidamente, tornando independente,
Oh! Bela infância...
Você não sai da minha lembrança,
pois nos dias de chuva,
pela minha casa, água passava
e eu os barcos de papel
da janela atirava...
Via meus sonhos ir para o infinito
que ele levava, tornando
meu mundo de ilusão mais bonito.
Oh! Tempo de criança!...
 
 
       
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