| |
P
o e t a s |
|
| |
|
| |
 |
Orlindo Melino de Andrade
|
Dados
Biográficos:
Orlindo Melino de Andrade, nasceu em Resplendor, no Estado de Minas Gerais, mas reside no Espírito Santo há mais de 24 anos. Ferroviário aposentado, sempre gostou de escrever tendo agora, através da ACE a oportunidade de mostrar seus poemas.
Obras:
Participação na 6a.,7a. e 8ª Coletâneas "Poetas do Espírito Santo", organizada pela Associação Capixaba de Escritores - ACE - 2003/2005.
FONTE: 6a. Coletânea de Poetas do Espírito Santo -2003.
|
Poesias
INSPIRAÇÃO
Estando Deus num instante
De inspiração infinita
Criou o mais caro brilhante
Que o universo habita.
Da flor o perfume sutil
Da serpente a peçonha cruel
Da raposa a astúcia e o ardil
A pureza e doçura do mel.
A finesse da corça ligeira
A graça da onça matreira
Acrescentar se fazia mister.
E fazendo Deus a mistura
Da graça, pureza e doçura
Estava criada a mulher.
|
|
| |
NOITES DE LUA
Ao meu pai, meu herói, que me ensinou a amar e respeitar a natureza e a vida.
Nas noites de lua na roça
Senta-se à beira da choça
E a viola começa a tocar
A voz sai assim apertada
Triste, sofrida, magoada
Parece querendo chorar
E começa logo um desafio
Que dura horas a fio
Um ao outro querendo vencer.
Mas essa luta danada
Sempre termina em risada
Quando um deles não mais responder.
E a gente de alma vadia
Cansado da luta do dia
Fica no banco a pensar:
Como podem essas mãos calejadas
De lavrar a terra cansadas
Tão suaves a vida tocar?
|
|
| |
SOLIDÃO
É um grito que reverbera
Inútil na multidão
É na boca que procura
Nos beijos de outras bocas
Um pouco de amor, de ternura
É a dor que não alivia
É a busca desesperada
No fundo de uma taça vazia
É a esperança de um sorriso
De um rosto amigo
Na multidão que passa apressada
É a lágrima que rola sem que, sem aviso
É o correr de braços abertos pro nada
E ao cair no caminho
É a falta da mão amiga
Pra levantar-se do pó
Solidão não é estar sozinho
É o vazio de sentir-se só.
|
|
| |
FALANDO DE PAZ
É difícil falar de paz
Com uma arma na mão
Mais difícil falar de amor
Se a arma está no coração.
Apesar da violência e a loucura
A arma que a mão segura
Com um gesto a gente desfaz.
Mas, pra abrir o coração
Arrancar o ódio, os preconceitos
Aprimorar qualidades
Corrigir defeitos
Tem que ter muita fé
Renascer se preciso for
Porque fácil não é
Despir-se do orgulho, da vaidade
Rever conceitos
Usar a razão
Dar ao próximo um pouco de amor
Acreditar na verdade
Que todo homem é seu irmão.
|
|
| |
PRECISO APRENDER A SER SÓ
Eu preciso aprender
a viver sem você
explicar pro meu corpo
escravo do seu
que não há mais prazer
que tudo acabou
que você me esqueceu.
Dizer pra minha boca
Que da forma mais louca
A sua beijou
Que o que hoje existe
É a amargura do gosto
Dessa lágrima que insiste
A rolar no meu rosto.
E pro meu coração
Que ao seu se prendeu
Que o sonho acabou
O amor já morreu.
E da paixão de nós dois
Nada restou
E o que veio depois
É vazio, dor, solidão.
|
|
| |
LIXO DO MUNDO
Como um cão vagabundo
Desde sempre, pela eternidade
Reviro as latas de lixo do mundo
Sou o pior da maldade
O filho maldito da guerra
E escória da terra
Fétido, nojento, imundo.
Sou a fera que arreganha os dentes
Afia as garras, tece a rede
Sacia a fome, mata a sede
No sangue que jorra abundante.
Na injustiça, companheira constante
Dos fracos, dos inocentes.
Sou o terror que mata criança
O fim cruel da esperança
O monstro que mata o irmão
A peste que assola os continentes
Pior que a pior maldição
Sou racismo, preconceito, ódio profundo.
|
|
| |
DECISÃO
Hoje decidi romper com tudo
Com esse emprego que me escraviza
Com esse chefe carrancudo.
Vou botar o pé na estrada
Vou buscar a paz sonhada
Livre e solto como a brisa.
Aqui sou apenas mais um
Que vai a lugar nenhum
Em meio a turba que corre apressada.
Sem luar, sem amor, sem vintém
Lá sou alguém
Aqui não sou nada.
Lá é tudo diferente
Dos costumes que há aqui
Sempre se riem contentes,
Quando um vai e outro vem.
Aqui passam entre si,
Como se passassem por ninguém.
Quero acordar livremente
Sem o barulho estridente
Do maldito despertador.
Será prazer e não castigo
Ser despertado pelo canto amigo
Do meu galo cantador.
Seguir pro trabalho animado
sem filas, sem ônibus lotado
Sem medos, sem preocupação
sentindo o perfume das flores
livre da loucura, dos dissabores,
do trânsito, da poluição.
Vou matar a sede na água pura
Da pequena cascata
Que correndo ao pé da mata
Entre seixos e pedras murmura.
E à tardinha ao fim da lida
Ter o prazer e a alegria de sentir
Que o meu viver enfim valeu a pena.
E envolvido pelos braços da morena
Em paz com Deus, em paz com a vida
Fazer amor, fechar os olhos e dormir.
|
|
| |
SAUDADES DE VOCÊ
Já faz tempo, muito tempo
Que a gente não se vê,
Estou cheio de desejo,
Desse abraço, desse beijo
Do seu cheiro, de você.
"Tô" com saudades
dessa boca depravada
que me beija apaixonada,
que morde com tesão.
Do delírio, do relax, da "viagem"
Do afago, da massagem,
Do toque de sua mão.
E dessa paz
Que sempre pinta ente nós dois,
Do aconchego, da ternura do depois,
Corpo e alma embriagados de prazer.
E desse beijo bem beijado,
De mansinho
Seu abraço, seu carinho.
"tô" com saudades de você.
|
|
| |
VIAGEM
Para minha gracinha, só minha.
Eu viajo neste corpo moreno
Doce, gostoso e pequeno
E nos seus dengos de gata mimada.
Eu viajo nos beijos loucos
Nos ais e nos gemidos roucos
De sua boca molhada.
Eu viajo no sabor do seu sexo
Que nos faz dizer coisas sem nexo
Louco, febril, desvairado.
E no prazer que meu corpo sente
Quando sua boca o toca suavemente
Ou o morde desesperada.
Esse amor desespero - ternura
Que viaja entre a paz e a loucura
Entre a dor e o prazer.
É essa entrega total
Acima do bem e do mal
É o nascer, o sonhar, o morrer.
|
|
| |
LIBERAR
Ao meu filho Wellington, pequena grande parte de mim que vive a vida intensamente. Ama o vinho, as mulheres e a boa música. Viaja pela vida no afã de conhecer e aprender.
Quero fazer as coisas mais loucas
Beber todos os copos
Beijar todas as bocas
E que pouco me importe
Que se por muita sede
Acabe quebrando o pote
Viver a embriaguês total dos sentidos
O prazer maior exarcebando a libido
Romper conceitos, quebrar tabus
Ansiar feitiches criar vudus
E ao voltar a terra fria
A certeza plena de Ter
Que a cada instante a cada dia
Intensamene tentei viver.
|
|
| |
ASA DELTA
Não é fácil na vida
Ousar
Num gesto suicida
Correr pela rampa e mergulhar.
A sensação primeira
É uma pane ligeira
Um pequeno mal estar
Depois é o calor do sol
O vento no rosto, a liberdade
É pairar uma eternidade
Na imensidão do azul
Que ao longe toca o mar.
Ter poder e grandeza
Sentir-se quase como um Deus
Em sintonia total com a natureza
Domar os ventos nos céus
Embriagar-se com tanta beleza...
Na amplidão do espaço
É saber-se um leve traço
Um quase nada.
Ser infinitamente grande e diminuto
Viver a eternidade num minuto
Na paz, a manhã ensolarada.
|
|
| |
CENAS DA VIDA MODERNA
Um homem pior que um bicho
Revirando a lata de lixo
Procura um pedaço de pão.
Pessoas que cheias de medo
Vêem morrer a esperança
Na cena de uma criança
Que no lugar de um brinquedo
Carrega uma arma na mão.
Meninos que esqueceram a bola
Usam as praças pra cheirar cola
Na certeza da impunidade.
A menina que nem seios tem
Prostitui-se por um vintém
Pelas ruas da cidade.
A bala perdida que mata inocentes
O sorriso de bocas sem dentes
Pra sobreviver nesse inferno.
A violência banalizada.
O assalto a mão armada
Acontece no meio do dia.
Pavor, desespero, correria.
Cenas do Brasil moderno.
|
|
| |
MEU CORAÇÃO É COMO O MAR
Meu coração é como o mar
Que sem jamais se alterar
Em silêncio, sem rancores, sem mágoas
Recebe solene as águas
Dos rios da ingratidão.
Meu coração é como o mar.
Sempre consegue apagar
Uma ofensa, uma palavra feia
Como as ondas apagam da areia
Os traços, as marcas do chão.
Meu coração é como o mar
Que em silêncio reflete o luar
E apesar da grande beleza
Sempre lembra a tristeza
Do vazio, da solidão.
|
|
| |
PROCURA
Procurei-te meu pai
Nos desertos, na estepe gelada
No silêncio da noite estrelada
No perfume sutil de uma flor.
Na pálida luz do luar
No fascínio da imensidão do mar
Na ternura de um beijo de amor.
Em vão procurei-te meu pai
Na imponente solidão de um farol
Na beleza do por do sol
Nos mistérios da floresta escura.
Nos sonhos, na esperança
Numa fonte de água pura.
Procurei-te meu pai, em vão.
Pela imensa terra busquei-te a esmo
Encontrei-te em mim mesmo
Dentro do meu coração.
|
|
| |
PRIMAVERA
Os ipês estão de novo floridos
A mangueira soltou o primeiro botão
Num cantinho ao pé da serra
A primeira flor brota do chão
Há um encanto novo na terra
No canto das aves
Os ventos do sul tão temidos
Transformam-se em risa suave.
É a festa da natureza
Que traz de novo a certeza
Que a esperança não é quimera.
É o recomeço da vida
Recriando a beleza perdida,
Está chegando a primavera.
|
|
| |
CHEIRO DE PAIXÃO
Me desespero
Espero
Quero
Beijar tua boca
Te amar na rua
Nua
Crua
De uma forma louca.
Rasgar tua roupa
Pouca
Louca
De forma confusa.
Em devaneios
ver teus seios
cheios
Saltando da blusa.
Teu corpo inteiro
Tem um cheiro
Tão maneiro
Cheiro de paixão.
Faz a loucura
Pura
Dura
Desse meu tesão.
|
|
| |
ATÉ QUANDO
Até quando, meu Pai
Essa lágrima rolará impune
Na face de uma criança?
E pelo rosto marcado
Do adulto desesperado
Que já perdeu a esperança.
Até quando, meu Pai
Esse dragão feroz que é a guerra
Tripudiará sobre os fracos da terra
Alimentando a loucura, o ódio e a dor
E a injustiça cruel dessa luta
Que esmaga pela força bruta
Quem fala de paz e de amor?
Até quando, meu Pai
Que esse milagre se faz
Que o pão de seu corpo sagrado
Alimentará o coração amargurado
Com fome de amor e de paz.
E o cálice desse vinho puro
Quebrará finalmente o muro
Do preconceito, do ódio profundo
O seu sangue no cálice servido
Para ser fartamente bebido
Pelos que tem sede
De justiça no mundo.
|
|
| |
|
|
|