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Newton Ramos
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Dados
Biográficos:
Newton Vieira Ramos nasceu na Fazenda Povoação, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, em 1892. Filho de Pio Pereira Ramos e de Jovita Ramos Vieira. Fez o curso primário em sua terra natal, com o professor Quintiliano de Azevedo, e o secundário no Ginásio dos Jesuítas, em Vitória. Em 1913 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde estudava e trabalhava, como revisor, na antiga Imprensa Nacional. Exerceu igual função no "Correio da Manhã". Após iniciar seus estudos na Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, trabalhou na Santa Casa de Misericórdia do Rio, no Hospital
Moncorvo Filho, no Hospital de Alienados e naClínica Miguel Couto. Diplomou-se em 1918m, sendo que, logo em seguida, por motivos de saúde, deixou o Rio, passando a residir em São Joaquim-SC. Nessa cidade, ao lado de outros intelectuais, participou da fundação dos jornais "Correio Serrano" e "Gazeta de Notícias". Transferiu-se, mais tarde, para São Paulo, daí retornando, definitivamente, à terra de nascimento, em atenção ao convite do Governo do Estado para criação do serviço de Profilaxia. Foi professor do ensino secundário, sempre colaborando na Imprensa cachoeirense. Patrono da cadeira n.20 da Academia Cachoeirense de Letras - ACL. Faleceu no Rio de Janeiro, em 27/03/1963.
Obras:
Deixou um livro inédito: "Castelo dentro da História" - crônicas.
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Poesias
DOIS DESTINOS
Meu rio, crioulo velho,
a minha alma é igual à tua.
Nossos segredos vão ambos,
unidos, beijar a lua.
Há qualquer coisa sublime
no teu cantar, que não cansa.
Eu vou ficando mais velho
e tu, cada vez, mais criança.
Corres sempre para o mar,
as ilhas vais abraçando,
enquanto eu, rio crioulo,
vejo a velhice chegando...
O teu destino é sem fim,
o teu cantar nunca cessa;
se a minha vida termina,
risonha, a tua, começa.
Mas te peço, velho rio,
que de mim guardes lembrança,
para que digas aos meus
que tu me viste em criança.
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TROVA
Há qualquer coisa sublime
No teu cantar que não cansa.
Eu vou ficando mais velho
E tu, cada vez, mais criança.
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VELHA PAGINA
Ainda trago no olhar a tua imagem casta:
E aquele triste quadro e o teu adeus choroso,
Que o tempo tão caruel e impotente não gasta
E, para o meu castigo o faz mais lacrimoso!
Quantas vezes revejo aquela estrada vasta,
Por onde tu partiste em busca ao caprichoso
Desejo do destino... ah! minha mãe, já basta
Esta tua estadia a me fazer saudoso...
Participa da dor que me tortura tanto,
Porque não mais reflete a tua tez mimosa,
O espelho que me deste em sinal de lembrança!
Nao sei mesmo porque não me desfiz em pranto...
Tudo perdendo estou, e até mesmo a esperança,
de ver-te novamente, altiva e carinhosa!
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