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Nelson de Medeiros Teixeira
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Dados
Biográficos:
Nelson de Medeiros Teixeira nasceu no bairro Independência, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, filho de RômuloTeixeira e de Maria Stael de Medeiros Teixeira. Estudou no "Liceu Muniz Freire", onde fez todo o seu curso ginasial e científico. É advogado militante, na área cível, especializado em Direito Previdenciário e Público, matérias em que presta assessoria jurídica e legislativa. Além de advogado, é escritor e poeta. Membro da Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, desde 1987. Em 2002, entre mais de 5.000 participantes, inclusive de Portugal e países latinos, entre mais de 25.000 textos inscritos,para selecionar os 30 primeiros, obteve o 12º lugar, com as três poesias que inscreveu, tendo participado do livro "Seleção de Poetas Notívagos 2001", impresso pela Scortecci Gráfica - São Paulo. Escreve acrósticos, cartas, contos, crõnicas, duetos, E-livros, homenagens, humor, mensagens, pensamentos, poesias, resenhas, rondel, sonetos, textos jurídicos e trovas.
Obras:
Tem vários trabalhos publicados em seu site www.medeirosadvogados.av.com, onde presta, on line, consultorias em várias áreas do Direito, principalmente previdenciário e público.
"Comentários ao Decreto 90.038", publicado em 1984,versando contagem recíproca de tempo de serviço.
Manteve, durante vários anos, uma coluna no jornal "Correio do Sul", já extinto, onde publicou poesias e crônicas.
"Lembranças" - poesias, co-produção com Dedé Caiano, em 1985
Participação na "Antologia Poética de Cidades Brasileiras", pela Shogum Editora e Arte Ltda. - Rio de Janeiro, publicado em 1985.
Participação na Antologia Poética "Os versos que te dou", publicação da Editora Pirilampo, Petrópolis, RJ, em 1988.
Participação no site "Recanto das Letras".
Na Internet tem trabalhos publicados em vários sites, como o de Fernanda Guimarães, pense bem, etc.
FONTE: www.recantodasletras.com.br/poesias transcendentais, além de dados fornecidos pelo próprio poeta
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Poesias
DESISTO
Desisto! Foi-se de vez a minha calma...
Meu sofrido coração já não resiste
a mais um sofrimento a me sugar a alma!
Desisto! Abraça a dor que inda te assiste...
Na luta desigual, tua paixão se espalma
por teu mundo que numa ilusão persiste...
Adormeças na quimera, feliz, sem trauma!
Vá. Siga em frente! Quem sonha não desiste...
Mas eu? Ah! pobre vate! Eu desisto sim...
Nada mais nesta vidahá de fazer de mim
um menestel de dor e de insanidade!
Desisto! Foi-se de vez a inconseqüencia...
Chega de tocar na orquestra sem regência
e me perder nas notas soltas da saudade!
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IMPOSSÍVEL...
É possível que o mundo se acabe...
Pode ser que o sol se apague,
e que os mares morram secados!
Pode a flor perder seu perfume,
pode acabar teu ciúme,
e Deus perdoar meus pecados!
Pode perder a lua a claridade,
as estrelas toda intensidade,
e enlutar-se o firmamento!
Pode secar a vida da fonte,
pode o rio subir pelo monte,
e meu amor ser fingimento!
Pode o vento parar de soprar,
pode a brisa não mais refrescar,
e tudo mais impossível ocorrer!
Mas coloque uma coisa na mente:
Nesta vida impossível somente,
é eu conseguir te esquecer!
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QUANTAS VEZES...
Quantas vezes o azar me trouxe sorte,
quantas vezes fui homem e fui menino...
Já fui pro sul pensando em ir pro norte,
fui amado e do amor não tive tino!
Quantas vezes pensei que eu era forte,
quantas vezes pequei em desatino...
vi muita gente em vida que era morte,
e vi acaso... Obra do destino!
Eu já pensei que o mal é que domina,
e que o bem não tinha a luz que ilumina,
e até dancei na hora de rezar!
Quantas vezes da noite fiz o dia,
quantas vezes chorei de alegria,
quantas vezes sorri pra não chorar!
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COMEÇO DO FIM...
Vai-se embora aos poucos, lentamente,
toda a vitalidade ruindo...
No peito a saudade é flor latente,
resquício de primavera se indo...
Morre o sol; o outono segue em frente,
e o frio que me abraça é quase infindo...
Dentro d'alma a neve alvinitente,
prenuncia o inverno que vem vindo...
Mas, ó Deus! Possa eu forças ter ainda,
pra plantar na vida que se finda,
as flores que bani do meu jardim!
Tenho certeza...Hei de colhê-las,
aqui, ante o brilho das estrelas,
muito antes do começo do meu fim!
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VERSOS LIVRES PARA UMA MUSA PRESA...
Foi nesta praia, numa tarde amena,
cheia de encantos e sutis belezas,
que esvoaçante qual gentil falena,
a mim chegase prenhe de certezas.
o mar trazia deslumbrantes cantos,
que ressoavam acolhedoras liras.
Eram teus versos de sutis encantos,
saudades só, que ao triste bardo inspiras!
O vento fresco balançava as flores,
que, indiferentes, perfumavam os ares,
as ondas vinham nos lembrar frescores,
acalentando os sonhos milenares...
Foi um minuto uma existência inteira,
que eternizou uma paixão infinda.
E esta magia da impressão primeira,
inda acalenta esta saudade linda.
E eu te vi como te vi na origem,
por entre estrelas habitando o céu.
Eras do Olimpo a mais perfeita virgem,
que eu,perdido,procurava ao léu.
É nesta praia, nesta tarde amena,
que esta saudade qual gentil falena,
traz-me teus versos evolando flores!
E dentre elas diz a rosa em segredo:
Vem, poeta, me colher deste degredo
e enfeitar o jardim de nossas dores!
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OS VERSOS QUE TE ENTREGO
Sempre quiseste meus versos...
Nunca os dei. Porém, dentro d'alma impressos
foram sempre meus fiéis companheiros!
Amigos inseparáveis desta solidão imensa,
que rasga as entranhas dessa alma tensa,
prenhe de sonhos aventureiros!
Como são fraternos os meus poemas:
nunca percebi. Entretanto, esses temas
vem de dentro de um sofrido coração!
Falam por sideste amor imaculado,
que guardo ainda no peito enclausurado,
como guarda uma estrela a negra imensidão!
Falam por mim essas rimas sonoras...
Cantam, choram, riem... Quantas histórias,
desfolhadas no livro das amarguras!
Meu outono já surge intolerável,
mais tarde virá o inverno inexorável
amoralhando as derradeiras desventuras!
Portanto que poderia te dizer neste dia sem vida,
quando a natureza derramando lágrimas de dor incontida,
parece entender meu eterno sofrimento?
Talvez dizer que te amo,
que sofro, blasfemo e reclamo
na solidão do negro arrependimento!
Não. Não poderia te dizer nada...
Pois penso no que foste em minha estrada:
Uma alma frágil que mãos tolas esmagaram num lamento!
Por isso clamo aos céus nos brados de quem sofre,
pra que adormeças no berço de meu pensamento,
qual jóia rara no escaninho de um cofre!
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ESTA SAUDADE
Esta saudade é minha paz e minha guerra,
Que um dia é doce e noutro dia é como fel!
É como o amor que corre solto pela terra,
é como a dor que dentro d'alma vaga ao léu!
Esta saudade é como a tarde que se encerra
no fim do dia esculturada por cinzel!
É como a noite esplendorosa que descerra,
A vida eterna que se mostra além do véu!
E no cair da madrugada eu sinto tê-la
junto ao meu leito, qual do céu caída estrela,
como se fosse um anjo bom em minha sorte.
Então acordo e volto tonto à realidade...
Pois se é real e de verdade esta saudade,
hei de senti-la para sempre além da morte!
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AMOR ANTIGO
Não sei porque quando à tardinha caminhando,
em passo lento pela velha e triste ponte,
escuto o rio a descer cantarolando,
uma cantiga enrugando a minha fronte.
Talvez eu sinta neste canto desaguando,
as ilusões por mim vividas num instante,
de um tempo atrás que irreversível foi passando,
deixando as águas de uma dor viva e marcante...
É que este canto murmurado quase em salmo,
vai dentro d'alma me deixando palmo a palmo,
toda a lembrança de uma doce juventude!
E sem ter forças pra voltar no meu caminho,
olhando o rio e relembrando o antigo ninho,
minha alma chora neste canto de saudade!
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SER POETA
Me perguntas o que é ser poeta...
Ser poeta é ser, nesta vida, um perfeito esteta
do amor - a mais singular das artes -
Ser poeta é viver num mundo real de fantasia,
onde, num instante mágico, a alma se extasia
em nunaças sutis de mil contrastes.
Ser poeta é ter a ventura de ver além do véu...
É sentir, dentro d'alma, o que existe entre a terra e o céu
e poder expressar, em poucas linhas, uma estranha saudade...
Ser poeta e viajar no tempo, sempre rumo norte,
transpor, emocionado, o limiar da morte
e voltar sentindo Deus e a eternidade!
Ser poeta é sentir da rosa nurcha o perfume,
é ver beleza e claridade no negrume
de uma noite de tempestade...
Ser poeta é transformar amargura em fortaleza,
é pintar um mundo de certeza
numa tela colorida de saudade...
Ah! Quem me dera poder poetizar!
Dizer na terra, no céu e no mar,
de um amor sem par neste mundo!
Ah! Quem me dera poder poetizar!
dizer deste mundo, distante a brilhar,
onde mora este amor tão profundo!
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ÚLTIMO SONETO
Partiste! Finalmente o destino nos brinda
e me esvazia a taça do sonho desta vida...
Aquele sonho que se vive e que se finda
e a dor voraz do despertar é desmedida...
Partiste! Mas deixaste acorrentada, ainda,
pesada herança dentro d'alma recolhida:
-Esta amargura de uma imensa dor infinda,
que o coração do triste bardo deu guarida...
Não há volta! Nada mais será como dantes,
nunca mais pulsarei com teus seios arfantes,
nem jamais ouvirei esta voz singular!
Mas, por Deus, cala-te! Para aqui poeta louco,
estanca de uma vez este gemido rouco,
e cessa agora para sempre o teu cantar!
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