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Lucas de Souza
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Dados
Biográficos:
Lucas de Souza nasceu em Vitória, capital do Espírito Santo, em 1984.
Obras:
Participação na seção Jovens escitores do site Jornal de Poesia, do poeta Soares Feitosa.
FONTE: www.secrel.com.br/jornal/poesiasoaresfeitosa |
Poesias
CANÇÃO DA VÁRZEA
Desmancho meus olhos turvos
No suscitar dos alvéolos
Embebedados das várzeas.
Teço nos ares mais límpidos
Das imutáveis miragens
Minha canção liberdade.
Venho do estreito da fonte
Onde ganhei dos meninos
Um coração de bravura.
Lá onde o grito é mais forte
Que as cordilheiras de espanto
Que se levantam do chão.
Venho cansado da lida
Que carreguei nos meus ombros
No corredor da incerteza.
Quem traz comigo no peito
Uma fogueira apagada
Pelo cair do sereno?
Vou batalhando na terra
As mil certezas que tenho
Abarrotadas no espírito.
Vem com a barca do rio
Que desce lenta mas sabe
O rumo desta canção.
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CONSTANTE NAVEGANTE
No tempo que me vou não ha guarida,
Segredo ou invenção de uma estiagem,
Estanco o pormenor e segue a vida
Infante latejante na paisagem.
Primeiro fui senhor da minha lida
Na borra em fino chão plantada a vagem,
Catando cada caco da jazida
Brilhante porejante na miragem.
E enlaço a distração luzindo a noite
Certeiro e sabedor que sem açoite
O joio se engrandece de vantagem.
No tempo que me vou não há vagueza,
Só levo em minha mão basta certeza
Cantante navegante na coragem.
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LETARGO DE OUTONO
Não quero nada mais que um bom colchão,
Penumbra, chuva fraca e sonolência
Leituras? Não, não, não, quero dormência
Nos versos do meu sono em mansidão.
Eu quero no meu quarto a solidão,
Sem gritos, palavrões, adolescência.
No leito quero estar na minha essência
Coberto de açucena, escuridão.
Se a noite despencar e o sol nascer
Que nada me atrapalhe de viver
Silente, brandamente, assaz seguro.
Só venham me acordar no entardecer
Que as luzes passarão por trás do muro
Dormir é claridade em meu escuro!
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TE CHAMO SOMBRA
Nas óperas teu pranto interminável
São pássaros, florins, são solitudes
Tu levas, ó poeta, em amiúdes
As notas do carvalho imensurável
Tuas lágrimas na face apresentável
São sons desafinando as juventudes,
Pudeste tu, ó esolio de virtudes,
Viver sem mastigar fim deplorável
Perdeste o teu sorriso, a distração,
A música das aves no telhado,
E esqueces que te vê a multidão.
Tua voz a cotovia tem lembrado
Sem termos de resposta ou condição
Concernes em sentir-se arruinado?
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CANTANDO AURORAS
Para Thiago de Mello
A manhã silenciosa
Vem por cima destes muros
Reluzindo a claridade
Escrevendo em linhas largas
Pelos postes e varandas
Uma idéia preciosa,
Estrofe de ventanias,
Feita em pétalas de chão.
Há nos ramos da cidreira
Altas luzes transbordantes
Bendizendo as juventudes
E encurtando a escuridão.
Vêm ditando bons processos
No refúgio da aurora,
Semente de goitacazes
Descoberta em cada mão.
Ditar-se regras, latitudes,
Neste pudor de alvura grande
É limitar a casa nobre,
O lar vindouro da amplidão,
Que já não perde a liberdade
Brincando o dia em seu coreto,
Frescor de orvalhos matutinos
Que nos clareia a ideação.
Mas que se alastra rarefeito
Pelos tratados militantes
Dos companheiros entretidos
No naufragar da solidão
São amiúdes do labor
Aliviando a escura noite,
Findar do bom combate,
Para o pulsar do coração.
E assim vamos aquecidos
No vagar da luz parida,
Jovem filha das estrelas
Que nos traz nova canção.
Se bem armados ou feridos,
Se desnudados ou vestidos,
O que nos dá tanta esperança
É o crepitar da claridão.
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PUBIS VERSOS
I
Nua és como flor
Aberta no sol
Conduzindo a puberdade
Destes dedos que te tocam
Vento de calor
Cingindo o farol
Das luzernas de teu ventre
Que se chama claridade
Manto multicor
Molhando o lençol
No labor da estrela lingua
Por catar profundidade
Passar Bojardor
Sem ver o arrebol
E entreter-se nos mamilos
Penetrando a santidade
II
Tirar-te o Vênus,
Dar-te outro norte
Sem por na sorte
Os cotovelos.
Céus de brasões
Dos grelos rubros
Nas mordomias
De teus cabelos.
Confim dos remos
Das madrugadas
Pedindo orvalhos,
Penetrações.
Me são mensagens
De rezas nobres,
Teus mil caminhos
Nas claridões.
III
Gramíneas de pêlos
Forjadas no flanco
Lambuzando o pau madeira
No tratado de destreza.
Taberna dos brados
Tratantes de bocas
Aquecidas no virar
Carregado de clareza.
E nos seios de horizontes
Vão anéis e mãos molhadas
Esquecendo o labutar
No cheirar da flor aberta
São lampejos de dois montes
Que se vão bem florescendo
Cavalgando o próprio rio
No fulgor da boca ao mar.
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