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Joana Abranches Silva
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Dados
Biográficos:
Joana D'Arc Abranches Silva nasceu no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, no dia 13/02/1956, filha de Jaime de Araújo Silva e Clorinda Abranches Silva. Educadora, pesquisadora, militando no Movimento Espírita Capixaba, em Vitória, capital do Estado, onde reside já há bastante tempo. É educadora no Centro de Apoio ao Menor de Rua, como também, pesquisadora e colaboradora atuante junto à Fundação Espírito-santense de Pesquisa Espírita - FEESPE, é uma das diretoras do C. E. Allan Kardec. Participa atualmente do trabalho de divulgação doutrinária, tendo artigo já publicado na revista "O Reformador".É sobrinha do poeta Joubert de Araújo Silva, também de Cachoeiro de Itapemirim.
Obras:
A Flor e a Estrela - 1991
Diante do Espelho - poesias, (Prefácio de Lamartine Palhano Júnior), Gráfica "18 de abril",Vitória-ES, 1992
Brincar de Poesia - 1998
FONTE:MOREIRA, Evandro, Coletânea "Poetas Cachoeirenses", organizador. (revisada, atualizada e ampliada) Gráfica e Editora GRACAL - 2a. edição -1998. |
Poesias
VIAGEM ASTRAL
Num foguete de papel
em meus sonhos fui ao céu,
nunca mais voltei ao chão!
Numa estrela bem distante
(distraída visitante)
esqueci meu coração.
Desde então sou só quimera!
Alma alhures, corpo em terra...
Buraco em peito vazio!
O mundo virou deserto!
No verão é sempre inverno!
No calor é sempre frio!
Nas noites claras e belas
me debruço na janela
a fitar o céu escuro.
Pra ver se um anjo descobre,
pra ver se Deus me devolve,
meu coração que procuro!
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DIANTE DO ESPELHO
Mulher!
É noite e, em teu quarto, teu espelho
reflete a dor dos teus olhos vermelhos,
o desencanto, canto, solidão!
Ao fim de mais um dia, sem saída,
passaste anônima e despercebida,
foste mais uma em meio à multidão.
Ninguém, em ti, notou o coração sensivel,
somente as formas, o corpo perecível,
confundida em injusta generalidade.
Passaram por ti e nem sequer te viram!
Te procuraram e não te descobriram,
tão escondida estas em tuas verdades!
Apenas enxergaram tua boca vermelha,
cabelo ao vento, brincos nas orelhas...
Viram-te, só matéria, da cabeça aos pés!
Mas...O futuro te espera em outra vida,
onde enfim liberta, alma redimida,
então serás amada só pelo que és!
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DIÁLOGO MUDO
Silêncio da noite,
por que dizes tanto
do meu desencanto?
Não quero sofrer!
Silêncio da noite,
por que tanto gritas,
lançando-me ao rosto
a paz do Mar Morto?
Preciso viver!
Silêncio da noite,
tape-me os ouvidos!
Não quero gemidos!
Não quero chorar!
Silêncio da noite,
por Deus, piedade!
Não quero a verdade!
Prefiro sonhar!
Silêncio da noite,
por que tnto lembras,
a todo momento,
a dor e o tormento?
Não quero sentir!
Silêncio da noite,
por que tanto falas?
Por que não te calas?
Não quero te ouvir!
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AMOR ANTIGO
De onde vêm esses meus versos?
Falar de amor não é moderno...
Embora seja eterno!
De onde vem o meu cantar?
Essas coisas de sonhar...
Esse doce lamento que transcende o vento.
Ah o meu rimar não é de agora!
Não é de hoje que minh'alma chora!
Minha canção não é deste momento!
Venho de outro tempo...
Talvez, lá da Grécia antiga,
por entre flores, guirlandas
e altas colunas brancas,
venha essa triste cantiga!
Venho de outros mares...
Outras terras e lugares...
E, com certeza, foi lá,
nesse distante passado,
que aprendi a versejar,
que te elegi meu amado!
Que comecei a te amar!
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ÁGUA
Sou lago tranqüilo
em meio à floresta.
Mistério profundo!
Uma fonte nascente
a fluir, docemente,
da rocha p'ro mundo.
Ou poço na estrada,
de água parada
e lodo no fundo.
Sou rio caudaloso,
de leito pedregoso,
correndo p'ro mar.
Um mar diferente...
Tão doce e abrangente...
Tão grande...Tão belo...
Mar de não parar,
de nunca esperar
um rio singelo.
Por fim, oceano,
às vezes me chamo,
à espera, sem fim,
das águas de um rio,
que em curso-desvio,
não corre p'ra mim.
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GRATIDÃO
Benditos sejam!
Os olhos que velam por ti
mostrando-te onde seguir.
Quaisquer que lhes seja a cor!
As mãos que por ti trabalham
e em ternura te agazalham,
que te transmitem calor.
Benditos sejam!
Os passos do teu caminho,
que não te deixam sozinho.
Seja em que momento for!
As vozes que te abençoam,
os que a ti se afeiçoam,
os que te falam de amor.
Os braços que te amparam
e com carinho te afagam
nas horas de fel e dor.
Benditos sejam!
Os corações daqueles que pulsam contigo,
em corpos de mulher, de homem, de amigo,
aqueles para quem também és bem-querer.
Essa gente que eu amo e nunca vi,
pelo simples fato de fazer por ti
o que somente em sonhos eu posso fazer!
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SONHO DE ÍCARO
Hoje, não quero pernas!
Preciso asas!
Mesmo que sejam alquebradas
e me tornem pássaro cansado,
em penosa chegada
ao destino almejado.
Mesmo que sejam de cera
e se derretam ao sol,
fazendo-me despencar
antes que possa chegar.
Mesmo que sejam tão frágeis,
que não aguentem o peso
do meu enorme sonhar!
Hoje, estou cansada...
Muito cansada de me arrastar!
Não quero pernas!
Preciso asas!
Quero voar!
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SER IRMÃO
Ser irmão,
é ter firme a mão,
quando alguém em queda
busca proteção.
É estar sempre alerta
quando a dor aperta
e o mundo diz não!
É, mesmo quietinho
em qualquer cantinho,
ter o olhar atento
e entrar em ação,
com disposição,
no pior momento.
É pouco falar,
é muito escutar,
é bem longe ver...
É nada pedir,
só distribuir,
só oferecer!
Ser irmão...
É ter você!
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AO MENOS...
Se não posso navegar nesse teu coração,
ao menos, não detenhas o curso-adoração
deste meu rio-amor de água cristalina.
E já que não conseguesme amar, enfim,
não te oponhas, ao menos, que eu me faça assim,
pequena em tua vida feito uma menina!
Se é preciso que eu sufoque esta afeição
e se não posso, ao menos, afagar-te a mão,
permita que, em prece, eu seja o teu abrigo.
E p'ra que eu possa, em vão, ludibriar a dor
do meu intenso olhar a te chamar de amor,
me deixa, ao menos, te chamar de amigo!
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