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Alfredo Carvalho Sampaio
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Dados
Biográficos:
Alfredo Carvalho Sampaio é natural de Minas Gerais, mas reside em Vitória, no Estado do Espírito Santo. Professor, estudioso da Literatura. De si mesmo diz que: "traz na alma os mistérios dos sertões e das veredas, o lirismo drummondiano de ver a vida e a forma de se relacionar com o mundo.
Obras:
"Antologia Poética de Cidades Brasileiras", 1986, Shogun Editora e Arte Ltda.
Participação no Site Recanto das Letras.
FONTE: Antologia Poética de Cidades Brasileiras, 1986.
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Poesias
DEVANEIO
No meio da turma te vi
No meio da brurma te perdi!
Sonho de amor, acalanto,
e, eu, no meu canto
sem te ver, te vi,
sem te ver, tive,
sem te perder, perdi!
Foste, não sei quando;
só sei que foi de manhã,
pois o sol nascia, e,
a bruma, eterna conivente,
t'escondeu!
Vi apenas os hélios raios
e te ocultar, contrastando
a bruma com teus cabelos!
Não sei se foi sonho
ou realidade:
Inda vejo a bruma,
branca-dourada-negra,
bruma, mistura:
névoa, sol, cabelos...
E você longe, indo
partindo...
P'ra eu nunca mais te ver!
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ENTRE A ROSA E O POEMA
“Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade.”
Chico Buarque – Bom conselho
Entre a rosa e o poema
Entro patético no cinema
E como acontece no romance
A mulher que eu amo aparece
Entre a rosa e o poema
Um disparo de dor
Um disparo de cor
Um disparo de amor
Entre a rosa e o poema
Um corpo jaz
Sem dor
Sem cor
Sem amor
Entre a rosa e o poema
Entro no cinema patético
Apreciador estético
Estático na cadeira
De amor e dor
Entre a rosa e o poema
Ela aparece
Como acontece no cinema
E toma conta da dor
E toma todo o amor
E toma toda a cor
Entre a rosa e o poema
Patético no cinema estático
Entro com ética
Como acontece no poema
Ela se vai entre a rosa e o romance
E eu neste lance
Aprecio a cor
E a falta de amor
Agora jaz
Entre o estético e o ético
A rosa no cinema
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CASABLANCA
Os olhos de Ingrid Bergman
me perseguem
o amendoado deles
emoldurados pelos cabelos
perscrutam o mal iluminado
bar-cassino
em busca de um bogart
que não existe
em uma tomada panorâmica
a dona desses belos olhos amendoados
sofre
há sempre uma fuga
dois corações jamais se juntam
nazistas impõem sua tirania
há canhões no horizonte
na névoa da madrugada
um avião deve partir para Lisboa
os olhos de la Bergman
buscam o avião
chove
a noite será longa
os olhos de despedida
de Ingrid
me assustam
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