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r g a n i z a ç ã o |
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Thelma Maria Azevedo nasceu em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, a 28/01/1931, filha de Emygdio de Azevedo e Maria dos Passos Dutra de Azevedo. Porém, em virtude da transferência de seu avô materno, João da Cruz Dutra, Guarda-mor da Capitania dos Portos de Florianópolis para Vitória, capital do Espírito Santo, desde os dois anos de idade reside nesta cidade. Considera-se capixaba de coração.
Fez seu curso primário no Grupo Escolar “Irmã Maria Horta”, que, nesta época, ficava localizado na rua “Afonso Cláudio”, na Praia do Canto. Foi aluna das irmãs Universina e Judith Nascimento, excelentes professoras.
Prestou Exame de Admissão para o Ginásio “Maria Ortiz”, ali permanecendo até a conclusão de seu curso. Teve o privilégio de ser aluna de professores como Arildo Lima, José Leão, Alberto Stange Júnior, Eurico Rezende, entre outros.
Época muito feliz, da qual guarda enorme saudade. Em 1996, ao completarem 50 anos de formadas, suas colegas organizaram um almoço de confraternização, no Hotel Porto do Sol, em Camburi, tendo a ele comparecido alunas que há mais de 30 anos moram em outros Estados do país. Contaram ainda, com a presença dos professores Rui Lóra e Yara Mattos. O reencontro foi muito emocionante.
De lá para cá, repetem este encontro, todos os finais de ano, onde matam as saudades.
Ingressou na Escola Técnica de Comércio de Vitória, curso interrompido no 2º ano, com a ida da família para a cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul.
Lá foi locutora e redatora da ZYF-7, Rádio Erechim. Fez parte do quadro de colaboradores do jornal “A voz da Serra”.
No jornal de 26/10/1948, data em que completou 20 de existência, esse jornal publicou uma coluna, “O Primado da Inteligência e da Cultura Erechinense” em que falava de pessoas, como os jornalistas Miguel Illa Font, Marcino Castilhos, Wilson Weber, Rubio Brasiliano Ferreira e Thelma Maria Azevedo, sobre quem diz o seguinte: É a mais recente colaboradora de nosso jornal e quiçá a mais jovem. Natural do Espírito Santo, seus artigos se revestem de uma singular ponderação e os seus temas se desenvolvem em torno de questões psicológicas, revelando uma inteligência vivaz e promissora. É funcionária da ZYF-7, Rádio Erechim.”
De volta ao Espírito Santo, após uma breve passagem pela TV Tupi, como locutora de cabine e com um programa de variedades de interesse das mulheres, na Rádio da mesma rede (foi colega de Gerson Camata e Eurídice Gagno), ingressou no serviço público estadual, passando pelas Secretarias de Administração, Educação e Segurança Pública, onde se aposentou, após trinta e um anos de serviços prestados.
Com 49 anos de idade prestou vestibular para a UFES e para a Faculdade de Direito de Colatina -ES, obtendo aprovação em ambos. Todavia, casada, com dois filhos, optou por cursar apenas uma Faculdade: a UFES, tendo se licenciado em Geografia.
Um novo mundo, então, lhe foi descortinado. Sem querer ser injusta com nenhum de seus professores, faz um destaque muito especial – especialíssimo - ao seu professor de Sociologia e Antropologia – Benedito Tadeu César, que lhe permitiu ver a vida de uma nova forma. Ajudou-a a formar uma consciência- cidadã, mais condizente com a realidade do nosso país.. É, até hoje, o seu amado mestre, com quem está em permanente contato.
Sempre gostou muito de ler e de escrever. Em 2000, publicou um livro “Fragmentos de Memória”, aonde reuniu histórias de seus antepassados.
Em 2005, publicou uma coletânea de suas crônicas, cartas, sob o título "Uma poesia, algumas crônicas e tanta coisa que sempre escondi...",com prefâcio do prof. Fábio Flores e "orelhas" de Anaximandro Amorim, dois grandes e queridos amigos. Em 14/12/2005 entrou para a Academia Feminina Espírito-santense de Letras, onde ocupa a cadeira n. 30, cuja patrona é Carmélia Maria de Souza, brilhante jornalista capixaba.
Amante da poesia, criou um site, o www.poetas.capixabas.nom.br, trabalho que despertou a atenção de Anaximandro Amorim, jovem advogado, escritor, poeta, membro da Academia Espírito-santense dos Novos e apresentador do programa “Jovens Escritores” no Canal DTV, voltado para a cultura e cidadania.
Em 25/11/2003, concedeu-lhe uma entrevista, transcrita a seguir.
P - Como se deu a iniciativa de criar um site dedicado aos poetas capixabas?
R - Amor pela poesia. Buscando os sites mais importantes sobre o assunto, constatei que a representação, digamos assim, dos nossos poetas e suas obras, era inexpressiva. Posso dizer que este foi o “ponta-pé” inicial.
P - Qual o objetivo do site?
R - Única e exclusivamente divulgação. Juntar, num único site, o maior número de poetas capixabas e informações sobre eles.
P - Como foi o trabalho de levantamento de dados para o site?
R - Buscar, nas bibliotecas públicas, principalmente na estadual localizada na Praia do Suá, os dados que eu precisava. Parti, inicialmente, das Academias (AEL e AFESL), seus Patronos (as) e Acadêmicos (as).
Francisco Morais, pessoa profundamente ligada à poesia e a história colocou à minha disposição seu maravilhoso acervo sobre os poetas capixabas. Em minha sala havia livro empilhado por todo lado... Daí foi mergulhar naquele trabalho de garimpagem, a principio meio desgovernado, tal o meu deslumbramento em saber a quantidade de gente talentosa de nossa terra. Aos poucos, fui tentando dar uma ordem cronológica, começando por José de Anchieta, percorrendo todas as escolas, épocas, até chegar aos poetas contemporâneos.
P - Por que a Internet?
R - É indiscutivelmente o melhor meio de divulgação nos dias atuais. De alcance infinito, oferece uma inestimável ajuda a quem precisa ou gosta de pesquisar sobre qualquer coisa ou sobre um assunto específico. Nos sites de busca, você descobre tudo o que quiser. Para uma pessoa de mais de 70 anos, cujo primeiro livro de Geografia da autoria de Gaspar de Freitas não tinha nem uma foto de um rio, ilha, vulcão, etc é uma verdadeira loucura poder ter acesso a tantas informações.. Eu nunca havia ousado usar um computador. Porém, ganhei um, no Natal de 1999, dos meus filhos Durval e Heliane e de uma prima, Iara. Aí, fomos eu e a Iara, fazer um cursinho de bê-á-bá sobre Informática, na UFES.
Dali em diante, fui me aventurando, cada dia um pouquinho mais, e perdi o medo de lidar com o computador...
P - Algum apoio para a criação do site?
R - Nenhum. Como dizem os nossos atletas, foi na base do “eutrocínio”. Bati em algumas portas, como a Aracruz Celulose, a CST, a Livraria Logus, o BANDES, sem o menor sucesso. Mas continuo na esperança de que alguém, alguma empresa entenda o valor do meu trabalho e me ajude com um patrocínio.
P - Como estão sendo as atualizações?
R - Continuo recorrendo às mesmas fontes. Percorro também os sebos de livros, recebo gentilmente enviados, livros dos poetas que se descobrem cadastrados e, assim, vou aumentando o meu trabalho. Muito prazeroso, diga-se de passagem, embora cansativo, pois busco, organizo, digito, corrijo, tudo absolutamente sozinha. Às vezes escapa algum errinho, mas estou sempre aberta a consertar, trocar, substituir a poesia caso o poeta peça, enfim, quero mais é que o site.deixe os poetas felizes... Encontrei, na Biblioteca Pública Estadual, dois livros de Ciro Vieira da Cunha em precaríssimo estado. Velhinhos, velhinhos... Nem se podia xerocá-los, Levei dias e dias copiando as poesias em um caderno, depois digitando tudo e formando novos “exemplares”, encadernados, que distribuí para várias bibliotecas e diversos amigos.
P - Número de visitantes/mês?
R - Bem, o site está no ar a menos de dois meses. De acordo com relatórios da Locaweb, tenho tido uma média de 20 visitas por dia. Acho que é uma boa resposta.
P - Por que poesia?
R - Bem, eu gosto muito de ler. Biografias, suspenses, romances policiais, de preferência. Sou fâ de Agatha Christie, tenho todos os livros dela. Descobri dois sites na Intenet sobre a sua obra. E me ofereci para ajudar, fornecendo listagens dos livros que foram adaptados para o cinema, nome dos atores, datas em que foram feitos, etc. As peças teatrais que escreveu, as obras - separadas pelos detetives criados por ela -, outros sem detetive específico, outros escritos sob pseudônimo, dados que eu havia guardado ao longo dos anos. Em um destes sites, entrei em contato com outros admiradores desta extraordinária escritora com os quais estabeleci laços de amizade que perduram até hoje. E, coincidentemente, três deles são poetas! O Fernando Antônio, a Angelina e o João Paulo, residentes em Assu, no Rio Grande do Norte. Também colaborei com o site do poeta Soares Feitosa, criando uma página para Humberto de Campos, que é um dos escritores brasileiros de quem mais gosto e que eu considero o mais injustiçado. Mas, gosto de muitos escritores, tanto nacionais como estrangeiros. Em se tratando de bom livro... Leio de tudo.
P - Fale de sua experiência na área literária.
R - Sempre gostei de escrever crônicas que mereciam, do programa Darly Santos, da Rádio Espírito Santo, brindes de vidros de perfume, etc. Mandava crônicas também para A Gazeta, A Tribuna, Jornal da Cidade. Lá em Erechim, escrevia para “A Voz da Serra”. Na rádio local, onde trabalhei, escrevia a Hora do Ângelus e colaborava nos noticiários levados ao ar. Aqui em Vitória, tive uma breve passagem pela TV Tupi, como locutora de cabine e na Radio da mesma rede, redigia e apresentava um programa diário de entretenimento, voltado para a mulher. Mas até aí, em meio a receitas de bolos e dicas de moda, tinha um espaçozinho para a poesia...
P - Fale sobre sua coletânea de poesias. Pretende publicar?
R - Bem, já são mais de 2 000 poesias, que fui juntando desde os tempos de ginásio... Meu desgosto é que tenho quase 30 de autores desconhecidos. Nem no GOOGLE consegui descobrir quem os escreveu. Mas tenho poetas do país inteiro, até estrangeiros. Mas não tenho a intenção de publicar.
P - E sobre o seu livro “Fragmentos de Memória?”
R - Bem, inicialmente a idéia era apenas deixar um registro para os nossos descendentes das histórias, “casos”, contados por minha mãe e meus tios. Dei-me conta, na época, ser eu, pela idade, a única depositária destas lembranças. Comecei a escrever e submeti minhas anotações ao crivo da prima Maria Theresa, professora de Português da Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Ela que se saiu com esta idéia.” Por que você não escreve um livro?” Levei um susto... Mas fui escrevendo. Surgiu a idéia de conseguir fotos dos personagens que faziam parte das histórias. Meu filho, neste ponto, interessou-se pelo projeto e tomou a seu cargo recuperar as fotos, fazer a diagramação, formatar o livro, etc. E a cada dia, surgia algo para por no livro. A idéia de começar prestando uma homenagem ao meu Estado natal e no encerramento, ao Espírito Santo, Estado que me acolheu. Foi um trabalho difícil, pois já que as nossas raízes são catarinenses, se não fosse a ajuda preciosíssima de primas como Ely Selma (que até pesquisou lápides de cemitério) e Eurydice, tecendo uma verdadeira rede de cartas descobrindo parentes até no distante Estado do Acre, fazendo a pesquisa de ligação entre os mais variados troncos, dispersos aqui e ali... foram de uma ajuda sem par. Muitas das pessoas sobre quem minha mãe contava casos, eu só sabia o apelido (o catarinense é o campeão nacional dos apelidos...) O anedotário sobre isto lá é enorme... E então, como descobrir, o nome, o laço de parentesco, etc? Sem as minhas queridas primas, o livro não teria saído....
P - Seu interesse pela poesia capixaba. Como se deu?
R - O amor pela poesia começou ainda no Ginásio “Maria Ortiz”. Collares Júnior, Geraldo Costa Alves, incentivavam muito a que lêssemos poesias. Aproveitavam qualquer data cívica para organizar saraus de poesia, onde decorávamos inúmeras delas, geralmente pertinentes ao que se comemorava. Mas foram uns versos de Ciro Vieira da Cunha, copiados por uma colega em meu Caderno de Recordações que me prenderam para sempre a este gênero literário e, ao meu poeta preferido... Há pouco tempo, consegui estabelecer contato com o filho dele, Rui, que me enviou xerocado o livro “Chuva de Rosas”, escrito para cumprir uma promessa de D. Ilca, esposa de Ciro, a Santa Terezinha. O poeta esteve gravemente doente e milagrosamente, graças a Santa Terezinha, se recuperou.
Fiz o mesmo trabalho de digitar todas as poesias e distribuir pelas bibliotecas e para os amigos. E guardo o exemplar xerocado que tem a dedicatória dele para a esposa.
Bem, já conhecia os poemas de Geraldo Costa Alves, de Collares Júnior, de Newton Braga...Deste poeta cachoeirense em particular gosto muito. Quando de sua morte, Ciro Vieira da Cunha, em carta a um amigo particular, assim se espressou: "E lá se foi o Newton Braga! Para mim, tinha ele muito mais talento que o irmão. Foi quase que ignorado, entretanto. É assim mesmo, sem foguetes e banda de música, ninguém alcança a glorificação dos contemporâneos..." E daí em diante foram descobertas atrás de descobertas...
P - Algum autor/poesia de preferência?
R - São tantos dos quais eu gosto... Deixando de fora os sempre citados por todo mundo, gosto muito de Guilherme de Almeida, Alceu Wamosy, Júlio Salusse, Humberto de Campos, Olegário Mariano, Giuseppe Ghiaroni, J.G. de Araújo Jorge, Luiz Otávio... Sem falar nos capixabas, claro! E, acima de tudo e de todos, CIRO VIEIRA DA CUNHA.
P - Como se faz a busca pelos autores no site?
R - É muito fácil. Por ordem alfabética. Ou pelo município onde nasceu.
P - Como se faz para enviar alguma poesia/participar?
R - O meu e-mail é tazevedo.vix@terra.com.br. Por ele você pode mandar os dados pessoais do poeta, suas obras (caso tenha), participações na imprensa local ou nacional, Coletâneas, Antologias, tudo que achar pertinente ao poeta. E algumas poesias dele. Eu tinha uma página para contato, infelizmente os desocupados que gostam de estragar o trabalho dos outros descobriram como entrar e eu não dava vencimento de excluir tanta mensagem de propaganda, assuntos pornográficos, etc. Fui obrigada a retirar do site.
P - Dê o endereço do site,
R – O endereço do site é www.poetas.capixabas.nom.br.
P - Poderia dizer alguma poesia para encerrarmos esta entrevista?
Vou dizer uns versos de um poeta capixaba que conheci no morro da Piedade – o Francisco, ‘Chico dos Ossos”.
O título é Vestido de Chita.
Nada sei di simitria
Façu versu pru brinquedo...
Mas trago rima nu crânio
Qui nem fôia in arvoredo
Quando tá carregadinho
Qui inté à mata faz medo...
Adoro esti meu sertão
Minha paioça caída
Minha viola sentida
Minhas unha carcomida
Di tanto roçá nas corda
As minha mágoa sofrida...
Vejo o sol, quando ele acorda
Vejo quando vai drumi...
Ouço o pio do sanhaçu
O canto da juriti...
Vejo vancê, caboquinha,
Eu nunca isqueçu de ti...
Aos dispois, ispero a lua
Que vem cum todo isprendô
Iluminando a paioça
O nosso ninho de amô..
Que fiz cum tanto carinho
E vancê foi... num vortô...
Inté hoje inda mi lembro
Do dia di sua partida...
Em que vancê, minha frô
Tava de chita vestida!
Nos óio tu tinha água
Era lágrima fingida!....
Vancê ta fazendo farta
Nas festa vai noite arta
Porém num tem esprendô...
Pruquê num jardim frorido
Ta fartando uma rosa
Qui é vancê, minha frô...
Farta tombem um negoço
Invisivi, quarqué troço
Qui nem sei ti ixpricá.
Acho qui é a sodade
Qui meu coração invade
E num mi deixa cantá...
Abandona os astromove
Os bonde, os bicho qui move
Vem anda nu meu girico
Mió sê pobre qui rico
Deixa a farsa capitá...
Vorta, vorta, cabocrinha
Quero vê esta boquinha
Bem perto di mim cantá
Antão minha viola geme
I num há cantado qui num teme
As minha rima a sartá!
Mas si vancê num vié nunca,
Iscuita bem, óia, assunta...
Mais um pouco di atenção!
Pode dize pra cidade
Qui vancê só pru mardade
Matô, pru preversidade
Um cantadô du sertão...
Qui viveu te esperando
Chorando, sempre chorando,
Implorando, implorando em vão!
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